sábado, 15 de julho de 2017

Tempo são oportunidades


Extraída do Google Maps















Sempre é possível ganhar ou recuperar dinheiro, não importa quanto tudo mude. Oportunidades raramente tornam a acontecer. Mas então, por que repetimos tanto “time is money”? De qualquer modo, é melhor que se o diga mesmo em inglês, pois combina mais com o famoso estilo americano. Mas, ainda que o estilo latino seja mais romântico, é fácil nos deixar levar pela tendência humana de “correr atrás do vento”.

Quando me veio a expressão tempo são oportunidades, senti que estava dando nome a um adulto. Porque conheci o livro de Eclesiastes há mais de vinte anos. E passei já desde então a esforçar-me para praticar a certeza de que importa muito mais o propósito daquilo que fazemos, que o dinheiro que conseguimos ganhar. Fui aprendendo também que a fé em Deus precisa ser vivida na prática, indo muito além de um sentimento.

Isso naturalmente significou remar contra a maré. Mas muitos fatos me permitem afirmar hoje que foi certo e até extremamente racional remar contra a maré. Pois vejo que avancei, cheguei a um novo mundo sem sair da praia. Graças a Deus, graças a fé!

Faz três anos e meio que fui demitida por atuar contra uma política de ilegalidades. Muitos entenderam como absurdo discordar assim de um governo tão poderoso, colocando em risco um bom emprego e levando isso adiante, depois de ter sido alertada, a ponto de perder o emprego.

A recusa em cumprir ordem do juiz de primeira instância para contratar advogado; o enfrentamento da acusação de justa causa; tudo pode parecer loucura. Mas, no âmbito da fé no Deus verdadeiro, é diferente.

E ainda que muitos achem que a fé seja irracional, passados apenas três anos e meio, vendo tantos poderoso presos por corrupção e evidências de que executivos foram levados de carona – por não conseguirem desistir de um emprego – todos deveriam concordar que o inverso do que fiz é que é loucura. Pois, como apenas três anos e meio são suficientes para mudar tanto uma realidade, é preciso reconhecer que nenhum desses juízes e governantes poderosos manda de fato no mundo.

Há sete anos, iniciei essa aventura. No mês em que apresentei a primeira denúncia para a auditoria interna do Banco do Brasil, em dezembro de 2010, eu tive um sonho, no qual vi Deus segurando o sol com a mão direita (não brilhava, mas eu sabia que a bola que cabia em apenas uma de suas mãos era o sol). Ele então arremessou o sol para longe e eu Lhe perguntei: e a terra? Ele respondeu: “Foi junto”.

Esse sonho me fez ver que Deus é muito maior que tudo o que eu havia imaginado. É muito mais poderoso. Estou certa de que Ele gostou de ver-me arriscando o emprego para defender o que era justo e decidiu então me mostrar quanto poder tem para oferecer retaguarda aos que ousam desafiar os poderes deste mundo. Vê-Lo com o sol na mão foi como comer os amendoins do Superpateta. Virei então uma superpateta e ousei muito. Mas a cada ousadia justa, eu me sentia maior e mais fortalecida. Sinto falta dos dias mais difíceis que enfrentei em 2013, porque jamais antes nem depois me senti tão protegida e amparada, tão forte e capaz.

Assim, lamento por todos os que recebem educação distanciada da fé (é certo que não falo da fé de conveniência). Lamento por aqueles que só conhecem as autoridade deste nosso mundinho, por aqueles que desconhecem que há um governante justo e extremamente poderoso acima de tudo e de todos.

Mas lamento sobretudo pelos jovens que desanimam, em meio à falta de perspectivas, porque ignoram que existe um propósito para tudo, que tudo tem seu tempo, que tempo são oportunidades e que, portanto, é preciso agir, materializando escolhas certas, enquanto é tempo de se fazer escolhas.

Nos últimos anos, descobri que até a pobreza traz valiosos ensinamentos, os quais hoje eu não trocaria por nada do que perdi com o emprego. Dinheiro é, cada vez mais, um valor extremamente relativo.

Na minha juventude, era preciso dinheiro para ter-se acesso a conhecimento e cultura. A Internet mudou tudo. Hoje aprendemos no Youtube a fazer em casa produtos (sem uso de conservantes e com ingredientes naturais e saudáveis) e serviços, com os quais se gasta todo salário. E muitos ainda temem o fim do emprego. Mas não havia emprego em massa antes da era industrial.

É inegável que vivemos uma nova grande transformação. Precisamos apenas nos readaptar, olhando para o lado positivo dessa transformação e libertando-nos da dependência do emprego. Para isso, precisamos ter fé nAquele que tem poder para administrar toda a humanidade e aprender e ser o próprio superior imediato, administrando e aproveitando bem o nosso tempo. Todo emprego limita, vicia e restringe outras oportunidades. Sair da zona de conforto é como renascer.

PS: E fé são atitudes!